sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O ENCONTRO.

Movo-me seguro
por entre as veredas
de um caminho escuro,
sem que intercedas
nos gestos, no motivo
do meu caminhar ...
nem no meu olhar ativo,
nem na certeza
do que vou encontrar,
nem na leveza
desse respirar ...
... só mesmo na natureza
desse teu modo de amar.

Por RUI RICARDO RAMOS.

NOTA: Texto poetizado em 17.12.1986. Inédito!

O NOVO.

Falar do que jamais foi dito
é esbarrar na fortaleza do saber,
engolir um pouco do infinito
do que se propõe a beber,

é fazer jorrar da fonte
a água mais pura e cristalina,
atravessar uma ponte
que se estende numa piscina,

é caminhar numa estrada
sem rumo nem direção,
em vão sofrer uma paulada
e cantar uma canção.

Por RUI RICARDO RAMOS.

NOTA: Texto poetizado em 24.10.1986. Inédito!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

ALGO.

Eu era algo que não podia explicar,
transparente e intangível.
Depois, não me recordo bem,
tudo se desfez
e eu me vi acuado, atrofiado,
nadando e crescendo
dentro de um mundo ínfimo que,
entretanto, aquecia-me,
dava-me segurança.
Mas meu mundo, pequeno mundo,
caiu, virou de pernas prá cima.
Arrebatado sem nenhuma razão aparente,
afunilando-me na estreiteza
daquele mundo
que agora parecia-me distante,
senti-me amarrado pela barriga
e, de repente, eu via luz ...
sim, eu era algo ... que depois de tudo,
enfim nasceu, nesse mundo louco!

Por RUI RICARDO RAMOS.

NOTA: Texto poetizado em 28.02.1993. Inédito!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O PALHAÇO.

Abençoada seja a lona que resguarda
e acalenta sonhos de criança
transmissíveis aos olhos de quem guarda
e reconhce nos gestos, a mais terna herança.

Louvadas seja as luzes que iluminam
e eternos os palcos que sustentam
as doces lágrimas que da emoção germinam
e brandeiam e ostentam.

Valor tenham os príncipes, os reis,
o cobre, ouro, o aço.
Cumpridas sejam as normas, as leis,
mas amado e adorado, seja o palhaço.

Por RUI RICARDO RAMOS.

NOTA: Texto poetizado em 18.07.1986. Inédito!

A PRAÇA.

Sentado aqui nessa praça,
vendo as pessoas que passam
                            sinto a brisa que,
terna, me abraça.
Necessários se fazem pensamentos,
que a cabeça me façam.
Prá não ouvir lamentos,
                            dos passáros,
ouço o canto,
                            das borboletas,
vejo o puso suave.
                            Saio da vida real
e dos versos fujo pro encanto
                             de ver, a eterna liberdade,
no simples vôo de uma ave ...

Por RUI RICARDO RAMOS.

NOTA: Texto poetizado em 1991. Inédito!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A NOBRE NOÇÃO DA NOCIVIDADE.

Esse laço apertado
feito da nolição
da nossa juventude,

feito a parte mais dura
da impenetrável madeira
da consciência,

feito o ponto de inserção
das folhas no caule
dessa árvore de lamentações,

feito a articulação
das falanges dos dedos
nas nossas mãos suplicantes,

feito ponto grave,
que muita atenção merece
em nossas vidas nodosas.

Essa ligação,
esse enlace,
este nó na garganta!

Por RUI RICARDO RAMOS.

NOTA: Texto poetizado em 01.10.1992. Inédito!

EU.

Redro as vinhas
para tirar as ervas,
contorno cada ato
e não reduzo o excesso,
a superfluidade.
Sou assim,
redudante,
embora racional ...

Por RUI RICARDO RAMOS.

NOTA: Texto poetizado em 01.101992. Inédito!
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Quem sou eu

Tenho 46 anos, sou casado e tenho uma flha que se chama Náheda Cecília e uma esposa chamada Geralda. Sou funcinário público do Poder Judiciário. Sou formado em dois cursos superiores: Engenharia de Minas e Licenciado em Ciências Geográficas. Vivo na bela e punjante cidade de Campina Grande - PB. Sou poeta por opção e por receio de perder-me nos bastidores das minhas idéias. Assim, transformo-as, tão somente, em palavras e poesias.