sábado, 9 de abril de 2011

AS MINHAS TANTAS VIDAS.

O que seria de mim se não fui, se não sou ou se não serei?
Qual seria a minha perspectiva se o meu corpo fugidio
e tangível não revestisse o meu espectro imortal?
... Só não queria ter mais que voltar depois que partisse,
ter que recomeçar tudo, outra vez, do nada,
como se nunca tivesse existido.
... Quem dera, enfim, poder libertar-me da tangibilidade
deste corpo insano, velho, desconfortável, passageiro ...
O que conforta-me, nessas vidas voláteis,
são as paixões arrasadoras, os amores ternos,
as perspectivas, os aprendizados, os doces e os amargos da vida,
que purificam o meu corpo intangível.
De toda forma, antes de partir,
sinto que preciso ficar mais um pouco ...
A voz da imensidão, ainda, não tocou-me os tímpanos
e só a Ela escuto pois, só a Ela resigno-me!
Preciso ficar-me, ainda, um pouco mais ...
Sou, ainda, fiel depositário de uma outra alma, reencarnada, jovem ... e que precisa de cuidados.
Depois, é só libertar-me, por uns tempos ...
Mais o danado disso tudo, é que sei que não estou preparado e,
por esta constatação, terei de voltar!
É a Lei, é a regra.
É a Justiça e o Amor Divinos!

Por RUI RICARDO RAMOS.

NOTA: Texto produzido em 09 de abril de 2011 por volta das 18 horas. Inédito!

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