terça-feira, 30 de novembro de 2010

QUANDO ERA ASSIM.

Cantava o choro e a alegria
com a mesma afinação,
letra e música em harmonia
em tom de animação.

Era a própria poesia
que gerava a canção,
quando o poeta conhecia
os dengos da inspiração.

E era noite e era dia
não havia separação,
era sonho e magia
aqui no meu coração.

Por RUI RICARDO RAMOS.

NOTA: Texto poetizado em 24.06.1991. Inédito!

O BANIMENTO

... e enfim se foi "tudo aquilo"
que jamais veio a mim
cheio de geometrias invisivéis
caminhando por entre arestas
de ângulos introspectos.

Não sei se era realmente "tudo aquilo"
porque distava de mim a distância exata
de quem jamais esteve perto.

Era um eixo abissal
repleto de formas sedimentares profundas
num oceano de lágrimas.

Abjurei "tudo aquilo"
porque nunca esteve perto de mim.

Estou contente agora,
"tudo aquilo" era besteira;
sujeitei-o à minha vontade,
debilitei-o até o esquecimento.

Enfim se foi,
que não volte jamais!

Já que não serve nem complementa,
nem instrui, nem constrói;
só amarra, só empata, ...

Por RUI RICARDO RAMOS.

NOTA: texto poetizado na madrugada do dia 28.08.1994. Totalmente inédito.

domingo, 28 de novembro de 2010

CURIOSIDADE: VOCÊ SABIA?

Sempre que acontece, em quaisquer partes do planeta, um fenômeno natural denominado por TERREMOTO, fala-se muito no termo EPICENTRO (ou EPCENTRO).
Entretanto, o seu conceito científico (GEOLOGIA, GEOGRAFIA E ENGENHARIA DE MINAS) é distinto do conceito comum empregado pelas pessoas leigas, inclusive por toda a imprensa mundial não especializada. Enfim, todos erram por ser este um conceito muito técnico e só conhecido, nos seus meandros, pelos especialistas que atuam na área.
Então vamos procurar entender este conceito?
Vou tentar explicá-lo da forma mais simples possível.
Imaginem, por exemplo, que aconteça um movimento das placas tectônicas no leito do Oceano Atlântico.
Imaginem, que essa movimentação ocorreu a uma profundidade de cem quilômetros.
O atrito das placas tectônicas, uma sobre a outra em um sentido de colisão, por exemplo, libera energia.
A energia liberada gera ondas, de diversos tipos. Entre essas ondas existe uma, denominada por ONDA DE SUPERFÍCIE (L) e, é a mais nociva a mais destrutiva dentre todas. Foi, por exemplo, a causadora da destruição do Haiti, recentemente.
Pois bem, feita essa pequena explanação, voltemos ao que interessa.
Tecnicamente, existem dois conceitos: o de CENTRO e o de EPICENTRO.
O local onde ocorreu a movimentação tectônica, onde ocorreu exatamente o atrito entre as placas, não é o epicentro do terremoto. Tecnicamente este local é denominado de CENTRO do terremoto.
Aí o leitor deverá perguntar: Então o que é, afinal, esse tal de EPICENTRO?
Agora que já sabemos que, na profundidade onde ocorreu o fenômeno (no exemplo dado: 100 Km), trata-se do CENTRO e não do EPICENTRO, ficou fácil a explicação.
Então vamos lá: do CENTRO do terremoto, que no exemplo dado ocorreu a uma profundidade de 100 Km, procura-se a distância mais curta até a superfície.
E, a distância mais curta entre esses dois pontos é obtida pelo traçar imaginário de uma reta perpendicular (ângulo de 90 graus), do CENTRO do movimento tectônico, até a superfície.
Esse ponto, na superfície, é o ponto mais próximo do CENTRO. É, portanto, denominado tecnicamente de EPICENTRO (ou EPCENTRO). Simples não é?

Por RUI RICARDO RAMOS.

NOTA DO AUTOR: Texto escrito e publicado em 27.11.2010.

sábado, 27 de novembro de 2010

QUINTANA

Quintana se libertou
Viveu poesia,
O poeta verdadeiro,
Sem ler poesias:
(Lia artigos prá se inspirar.)
Morou nele mesmo
Prá viver sozinho,
Sem amores definitivos
Nem endereços fixos.
Morreu a simplidade da poesia,
Morreu fumando as desilusões.
A morte o libertou
Prá "dormir, finalmente, de sapatos."

Autor: RUI RICARDO RAMOS.

NOTA DO AUTOR: Este texto, poetizado em 06.05.1994, é uma homenagem ao grande poeta Mário Quintana o qual desencarnou em 05.05.1994

O POEMA FATAL

A vida tornou-se bela, breve e necessária.
Tirá-la é um despropósito
pois é vital que vivamos
para construir impérios,
descobrir o que se esconde e,
no entanto, existe.
Inventar o que parecia insano,
quebrar tabus.
Adorar ídolos e deuses,
pagar dízimos de salários medíocres,
passar fome na presença da fartura.
Suprimir as idéias
e achar-se na terra
sem a ela pertencermos.
Chamar a pessoa amada de (meu amor),
odiá-la, se quiser.
No entanto, é breve a vida que logo passa
porque vêm as guerras depreciadoras
e os ódios irremediáveis.
"Agora será fatal
que este poema terminou assim."

Autor: RUI RICARDO RAMOS.

NOTA: Poetizado na noite de 24.06.1995. Inédito.

O POETA

Das mãos simples de um poeta
Surgem belas melodias
Como o tilintar dos cristais de festa
No extravasamento das diversas alegrias.

Nas suas idéias e, somente nelas,
Fecundam-se as letras das canções
Que cantam amor e coisas belas
E ensinam a baterem fortes os corações.

É o poeta quem canta a vida,
É ele quem faz a palavra forte,
Quem conhece a gente que lida,
Quem ironiza a morte.

Autor: RUI RICARDO RAMOS.

NOTA: Poetizado em 1984. Inédito.

IGUAIS

Das entranhas da rocha pura me criei forte,
da mais nobre casta dos metais reluzi,
branco que sou, orgulho que tenho.
E eu, metal polido,
me desgastei com o tempo.

Autor: RUI RICARDO RAMOS.

NOTA: O presente texto foi poetizado em 1984 e, inédito, está sendo postado somente agora, neste blog.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O EPISÓDIO

... e lá ia eu, em pleno dia de pleito numa missão macabra:
numa mão e noutra - porque distribuia o cansaço do peso -
jazia inerte o desconhecido defunto.
Minha frieza era tanto-quanto fria estava aquela forma sem vida.
Porque jamais o vi e nem o verei, nem fiz parte da sua vida.
Enfim, atirei-o ao relento em lugar esquisito e apropriado.
Fui-me indo sem olhar de volta.
Será possível tamanha frieza contra a vida e diante da morte?
Esqueci-me de tal episódio e passei a concentrar-me
em uma outra macabra missão:
Elegeria, naquele dia,
em instâncias maiores e menores
os homens que usarão o poder para roubar-me ...

Autor: RUI RICARDO RAMOS.
NOTA: Texto poetizado na noite do dia 04 do outubro de 1994.

domingo, 21 de novembro de 2010

NOTA DO AUTOR:

Os três poemas que compõem a "Trilogia Granmaniana", embora poetizados nos anos noventa do século passado, são totalmente inéditos e só foram publicados recentemente, por ocasião da inauguração do Blog - Jornal O Campineiro.

Por RUI RICARDO RAMOS.

DA PERSONALIDADE

"Da Personalidade" é o último poema da "Trilogia Granmaniana". Nele o herói Granmar é um deus,  pois consegue apresentar-se e fazer-se presente em todos os momentos e em todos os locais do universo, com a mesma instensidade ...

Título: DA PERSONALIDADE

Granmar é capaz de viver só
longe de tudo e de todos;
Capaz de criar poesia,
como o mais belo poeta, se inspira na solidão.
Assim é ele,
herói, conquistador, inventor do verso,
sabedor da vida,
discípulo da disciplina,
matador de homens,
pacificador, empreendedor.
Vive na mente dos gênios
e nos pensadores sem pensar.
Nas idéias dos déspotas dos paraísos,
nos sonhos dos vassalos,
no despertar das manhãs
e nas noites dos horrores.
Nas coisas doces e amargas,
no ego dos humildes
e na humildade dos fortes.
Só ele vive,
não sei explicar,
entretanto vive.
Como uma figura de linguagem,
(uma hipérbole, uma parábola, uma contradição).
Vive em tudo o que toma espaço,
esprimido na imensidão do infinito.
Na unidade mais básica
como um rei sem fronteiras,
como uma epístola sagrada à humanidade.
Um dogma, uma doutrina,
como um ser sem proporções
que afeta a tudo e a todos.

Autor: RUI RICARDO RAMOS.
Poetizado em 14 de dezembro de 1992.

sábado, 20 de novembro de 2010

O HERÓI

"O Herói"é o segundo poema da "Trilogia Granmaniana". O poema reflete a materialização dos atos heróicos de Granmar. É a subrepujação dos valores benéficos diante dos valores contraditórios. É, em síntese, a Teoria da Causa e do Efeito posta na prática pelos valores éticos do herói ...


Título: O HERÓI

O perigo era evidente
De tornar sonho tão belo
Numa visão comovente
Do verde virar amarelo.

Granmar, contudo, sentiu
A farta fonte secar,
Como uma pétala se abriu
Deixando baixar o mar.

Foi então que seu poder
Ferrenho, tomou virtude
Crescendo todo em saber,
Sereno ousou atitude.

Subiu da terra cansada
Para o céu que não conhecia
De lá visou enseada
Por onde a água sumia.

Grande idéia ele supôs,
Plantar vida sadia,
Bela música então compôs
Vendo o raiar do dia.

E tudo na terra encantou
Ouvindo a voz de Granmar,
Em vapor de água tornou
Fazendo chover no mar.

As coisas juntas somaram
Novo equilíbrio eterno
Certas outras, então, murcharam
Mesmo em pleno inverno.

Autor: RUI RICARDO RAMOS.
Poetizado em 25 de julho de 1992.

Título: O DIA

"O Dia" é o o primeiro poema, por mim escrito, de um segmento denominado de "Trilogia Granmaniana." Talvez o personagem "Granmar" seja uma projeção mental, emocional e poética do ser humano ideal ou, talvez, seja o herói que eu ou quaisquer outros homens, machos ou fêmeas, não podem ser jamais...

O DIA

Sinto o hálito desses dias próximos,
irreversíveis dias que virão
sem que muitos estejam a esperar.
Nesses, que diferirão pela estranheza,
nada de fontes impuras
e nem trilhas prá caminhar.
Porque o Sol alumiará os campos
dos corações enegrecidos
e das mentes assimétricas
num colóquio de sentimentos a expressar.
Então a ordem sobrepujará a anarquia,
a soberba em humildade,
numa sinonímia do amar.
E eu, que transigente sou,
não translúcido me acharei no dia,
nem opaco.
Transparente me acharei
e meu nome será Granmar.

Autor: RUI RICARDO RAMOS.
Poetizado no dia 13 de junho de 1991.