sábado, 5 de fevereiro de 2011

DETALHES DA INGRATIDÃO.

Conta-se que em Londres vivia um funcionário da limpeza pública chamado Mollygruber.
Idoso, era estimado por todos os valores morais que cultivava.
Uma manhã, quando recolhia o lixo do parque onde trabalhava, viu que um menino se debatia, desesperadamente, nas águas de um lago. Logo percebeu que o garoto estava se afogando.
Pessoas se aglomeravam assistindo, curiosas, barulhentas, sem nada fazer em auxílio à criança.
O velho trabalhador, embora com as suas dores reumáticas, se atirou na água gelada.
Com dificuldade, trouxe o menino, são e salvo, de volta às margens do lago.
Dada a sua saúde precária, caiu desmaiado ali mesmo.
A ambulância foi chamada e ele foi levado ao hospital.
Seu feito ganhou as páginas dos jornais.
Enquanto isso, a mão do menino que fora salvo, chegou ao local e começou a examinar o filho, totalmente transtornada.
Em dado momento, olhou para a cabeça do menino e notou a falta do boné que ela dera de presente a ele, naquele mesmo dia.
Começou a gritar e a reclamar, dizendo que o velho roubara o bonezinho do filho. E exigia que trouxessem de volta o boné. Como ninguém lhe atendesse o desejo, por totalmente descabido, ela foi ao hospital.
Nem se dera conta de que a vida do seu filho, o bem mais precioso, fora preservada.
Que, graças a Deus, ele estava bem porque foi retirado da água, antes de ficar congelado.
Não. O que ela queria era o bonezinho do garoto.
Chegando ao hospital, exigiu ver o velho que, segundo ela, realizara o furto.
Tanto gritou e fez escândalo, que o médico de plantão, indignado, lhe disse:
Se a senhora não deixar o nosso herói descansar e se recuperar em paz, eu chamo a polícia para prendê-la!
Com o choque, a mulher se calou e foi embora.
No dia seguinte, o idoso trabalhador morreu. Os moradores da região, aonde ele vinha servindo com retidão,  há anos, inundaram o parque de flores e de letreiros com mensagens de gratidão.
Era a sincera homenagem a quem doou a sua própria vida para salvar uma criança desconhecida.


Por vezes, esquecemo-nos de sermos gratos as dádivas que nos são ofertadas.
Em vez de lembrarmo-nos das alegrias que nos chegam, dos amigos que nos brindam com as suas presenças,  lembramos, somente, da maldade com que fomos alcançados em algum momento.
Assim, um amigo nos oferece o seu carinho e atenção, por anos. Certo dia, em que ele não está bem e, nos dirige uma palavra infeliz, de imediato o descartamos da nossa convivência.
E, dali por diante, a todos os que encontramos, diremos da nossa mágoa, da agressão que recebemos, da má educação do ex-amigo.
Contudo, nos dias de felicidade e de bem querer, não ficamos alardeando tudo o que aquela pessoa nos ofereceu.
Esquecemos de que passou a noite conosco, no hospital, quando nos acidentamos e os nossos familiares estavam distantes.
Olvidamos de quem nos estendeu a carteira farta, nos dias das nossas necessidades, nunca pedindo o pagamento dos dispêndios que teve conosco.
Não recordamos dos dias de alegria, das férias compartilhadas, dos passeios realizados, dos momentos em que nos alimentou a alma com a sua alegria e disposição.
Pensamos, somente, no ato infeliz de um dia, de um instante.
Pensemos um pouco se, ante as bençãos que nos chegam, não estamos agindo como aquela equivocada mãe.
Fonte: Blog Aprendiz de Espírita.
Postado por Sérgio Ribeiro.
Publicado em MeirinhoMor.Of. por RUI RICARDO RAMOS.

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