domingo, 23 de janeiro de 2011

CÉU DO CHÃO.

Caminha um homem
na noite das estrêlas do chão
                     - persegue uma estrêla de brilho intenso -
aborda-a quase sem palavras,
nem gestos.

Transporta-a até o primeiro estágio
                       de um dos muitos céus
                       daquele universo de sombras
                       e de luzes mortiças.

Bailam os dois
                       ao som de um sonoro postal
                       num paralelismo entre a razão
                       e a inconsciência alcoólica.

Lá prás tantas,
                       a convites instintivos atendem.

No cubículo de Erós
                       brilha uma estrêla desnuda
                       aos olhos de um simples homem.

Roçar de corpos,
de línguas,
sussuros,
mãos no sorvete, na rosa orvalhada.

Um par de sêres num parque de prazeres,
é arte, pura arte
um sorvete e uma rosa
                        se encaixarem,
                        se absorverem,
                        se molharem,
se derramarem numa convulsão de extáses

Na penumbra da noite espêssa
a olhar as estrêlas do céu do alto,
pensa e fala um homem a caminhar
de mãos nos bolsos,
cigarro aceso:

- Como pode uma estrêla
e um mortal juntos ...?
- É sonho e arte,
puro sonho ... pura arte ...
- É céu, puro céu ...

Por RUI RICARDO RAMOS.

NOTA: Texto poetizado em 07.05.1986. Inédito!

Nenhum comentário:

Postar um comentário