quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

ÁGUA.

Nasce do profundo solo,
escorre molhando
as rochas nuas
e cai nas crostas secas
irrigando o colo,
orvalhando flôres;
das aves,
cintila nas penas suas.
De verde vem da nascente,
espumante, branca, alegre
desponta das cachoeiras,
emite canções
na íngreme corrente,
espêsso azul
se revela nas cordilheiras.
Enfim,
dos elementos da natureza
tu se apresenta
com mais constância
revelando em alguns lugares
a tua limpeza
com transparente
e desfigurante elegância.
Porém ti matam,
ti sujam,
em nome do progresso.
E agora, morto o teu encanto,
apresentas triste negrume
que cai da serra
num suicídio dilacerante.
Água!
Salva-nos,
salva-nos
do teu definitivo regresso.
Não me falte, luta,
se possível fere,
mais não morre,
mais não volta,
não se esconda
no fundo do planeta Terra.

Por RUI RICARDO RAMOS.

NOTA: Texto poetizado em 25.03.1981. Inédito!

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