sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

OS CALOS.

Pessoas que andam
pessoas que passam
tão frias, tão distantes ...
Eu as observo, cada uma,
com seus passos largos
e seus braços longos
no afã de chegar em algum lugar.
Aonde irão? Me pergunto.
Será que chegarão?
O caminho é fácil
as ruas são largas
e raramente onduladas.
Mas seus pés
têm calos que incham,
que restringem as passadas.
As mãos contraem os dedos
que teimam em ficarem livres
prá não sufocarem-se.
Talvez na ânsia
de observarem os pés
e controlarem os calos.
Todos temos os nossos calos,
visíveis ou invisíveis,
inchados ou murchos,
para nos dificultar a vida.
E nossas mãos
que não nos conduzem, até elas,
meras observadoras dos nossos pés,
têm os seus calos que calam-nas
porque se envergonham
dos dedos que têm.

Por RUI RICARDO RAMOS.

NOTA: Texto poetizado na noite do dia 14.11.1994. Inédito!

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