segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O HÁLITO.

Quando caia a tarde
era a hora
de todas as coisas se reunirem.
Cada centímetro do crepúsculo
revelava a mesma luminosidade
talhada na cor púrpura
daquele fenômeno.
Nenhum marco parecia estático
diante da grandiosidade de uma estrêla
que, naquele dia, morria
prá renascer áurea, límpida, no outro.
Qualquer ser vivo
reconhecia a sua pequenez
e suas vidas eram moldadas
de conformidade com as leis naturais
que os regiam.
Naquela tarde,
eu observava atento
aquelas plagas distantes
e o espaço parecia-me um imenso oceano
composto de nada.
Minha vida era feita de espera
como se não restasse mais nada a fazer,
naqueles dias.
Mas de repente, toda aquela vida
que parecia-me inútil,
encheu-se de uma luz brilhante,
tão branca quanto qualquer conceito
que tenda à perfeição.
Ele estava ali,
preenchia o horizonte dos meus olhos
e pairava sobre um suporte energético que
mais parecia-me a extensão da sua forma,
que um meio de transporte.
Mas eu não podia tocà-lo,
estava nuito acima
do alcance dos meus braços
e do meu merecimento.
Ao vasculhar com os olhos, infinitos,
a superfície daquele lugar
mirou sobre o meu ohar e sorriu-me.
E dos seus lábios
surgiam sons que me enterneciam,
e do seu hálito,
a essência da literatura.

Por RUI RICARDO RAMOS.

NOTA: Texto poetizado em 04.07.1991. Inédito!

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